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Reflective Practice

A importância da educação cristã para a geração das redes sociais

É inquestionável entre estudiosos que as experiências digitais têm impactado diretamente na forma como a atual geração tem vivenciado sua fé. Uma pesquisa realizada pelo departamento de sociologia da Universidade de Baylor no Texas, entre os anos de 2002 a 2013, com 3.290 adolescentes e jovens da faixa etária de 13 a 17 anos e de 22 a 29 anos, tinha como objetivo medir a relação das comunicações em rede e as crenças religiosas. Nesta pesquisa, constatou-se que jovens adultos que utilizam as redes sociais tendem a personalizar a sua fé, independente do que a sua religião tradicional da sua família ensina.

Kids using a smart phone.
Photo: Unsplash

Os entrevistados responderam as seguintes perguntas sobre sua fé: (1) Apenas uma religião é verdadeira?; (2) Muitas religiões podem ser verdadeiras?; (3) Há muito pouca verdade em qualquer religião. Você concorda ou discorda desta afirmação?; (4) Você acha aceitável uma pessoa da sua religião praticar outras religiões? (MCCLURE, 2016, pág. 6)

A pesquisa destaca que a tendência de personalizar a mensagem religiosa – como forma de atender necessidades pessoais – aumenta quando há maior tempo de uso das mídias sociais. Assim, o estudo sugere que as mídias sociais têm efeito sobre o que se pensa a respeito das crenças. Em particular, sobre os que passam mais tempo em redes sociais como o Facebook, tendem a considerar que é perfeitamente aceitável experimentar outras religiões e não precisam permanecer comprometidos com ensinamentos tradicionais da família.

Esta é uma preocupação dos pais de adolescentes entrevistados, segundo eles:

O Facebook, o Instagram e o Twitter não só expõem os adolescentes a uma pluralidade de visões de mundo que podem estar em desacordo com o que aprenderam em casa, mas também podem distraí-los de seus trabalhos escolares, inibir recreação ao ar livre e aumentar comportamentos nefastos como “cyberbullying” e “sexting“. Como resultado, as novas tecnologias sociais muitas vezes representam uma ameaça para os pais que desejam transmitir ensinamentos morais ou religiosos específicos para seus filhos (MCCLURE, 2016, pág. 2).[1]

As pesquisam apontam uma questão que merece atenção de nós educadores: pessoas que utilizam redes sociais com maior frequência sofrem mais influencia nas suas crenças e nas que são herdadas de familiares. Essa é uma preocupação dos pais e deve ser também nossa como educadores adventistas.

Segundo os pilares da educação que contribuem para o desenvolvimento humano, propostos por Delors (2003), principalmente no que diz respeito ao “aprender a ser” – que envolvem os valores pessoais – cada pessoa precisa se firmar em sua personalidade para determinar sua postura espiritual diante das distrações ou oportunidades que estes meios oferecem.

Para uma geração imensa nas redes sociais, é fundamental que as crenças e valores estejam bem fortalecidos para que utilizem essas tecnologias de maneira positiva. Como educadores, podemos auxiliar os pais nesse trabalho de ensinar valores aos nossos alunos.

*O artigo é a segunda parte de uma série de três artigos. Ler o artigo o primeiro artigo. O terceiro artigo da série será publicado na próxima semana.

[1]Texto original: According to these concerned parents, Facebook, Instagram, and Twitter not only expose adolescents to a plurality of worldviews that may be at odds with what they have learned at home, but they may also distract them from their schoolwork, inhibit outdoor recreation, and increase nefarious behaviors like “cyberbullying” and “sexting.” As a result, new social technologies often pose a threat to parents who wish to impart specific moral or religious teachings to their children.


Nota: Artigo escrito e postado em Português.

Helen Candido

Helen Candido

Com mais de 20 anos de experiência na área digital, atua principalmente na gestão de projetos de internet, marketing digital e tecnologia educacional. É Chefe do Portal da Educação Adventista e CPB Digital na Casa Publicadora Brasileira.
Helen Candido

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