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O Silêncio de Maria

“Porém eles não compreenderam o que Ele quis dizer. Então Ele voltou para Nazaré, e era obediente a eles; sua mãe, porém, guardava todas essas coisas em seu coração.” (Lucas 2:50 e 51)

No texto anterior, aprendemos que respeito resulta de confiança, transparência, noção clara de identidade, e, principalmente, de que respeito se dá antes que se receba.

No processo de desenvolvimento humano, para construção de sua identidade, valores e princípios, era previsão de Deus que aprendêssemos as lições básicas da vida com nossos pais. Na relação de afeição que se desenvolve em família, seríamos levados à compreensão correta de Deus, desenvolvendo por Ele respeito. Sob essa ótica surge o 5º Mandamento da Lei dada por Deus aos homens: “Honra teu pai e tua mãe”.

Partindo da ideia de que Cristo é o exemplo humano para o cumprimento dos propósitos divinos, o que podemos aprender das 3 situações que encerram a história no Templo?

Joseph, Mary and  Baby Jesus
Photo: Editorial images

1 – Os pais de Jesus não compreenderam suas palavras.  O pecado provoca exatamente essa reação no ser humano. A distância de Deus, mesmo que por um único instante de descuido, nos faz perder a noção de quem somos, anuvia nossa mente e deixamos de compreender a realidade das coisas, e isso nos faz perder o respeito.

O incrível dessa história é que José e Maria estavam face a face com Deus – Jesus Cristo, e naquele momento se esqueceram disso. O pecado também provoca essa reação, e às vezes tratamos a Deus como nosso serviçal, nosso amuleto, ou nossa possessão. Como resultado, fazemos isso com as outras pessoas, a começar com os de nossa própria casa. Por conta deste risco Paulo nos adverte: “E agora uma palavra a vocês pais. Não vivam repreendendo e irritando seus filhos, deixando-os irados e rancorosos. Antes, eduquem-nos com a disciplina amorosa que o próprio Senhor aprova, com recomendações e conselhos piedosos.” (Efésios 6:4)

2 – Ele voltou para Nazaré com eles e lhes era obediente.O Rei do Universo, digno de todas as honras, se submete a seus pais terrenos conforme o mandamento. O amor de Cristo pelos seres humanos o impelia a tratá-los com respeito, sendo eles ainda pecadores. Cristo olhava as pessoas não pelo que eram, mas pelo que poderiam ser a partir do contato com Ele, e por isso as tratava com amor, dignidade, respeito. Como deveria eu então tratar aos meus semelhantes?

3 – Maria guardava todas essas coisas em seu coração. O relacionamento de Cristo com sua mãe reserva lições importantes. O silêncio de Maria após as palavras de Jesus induz à percepção de que algo profundo e divino se escondia nas palavras de Seu filho. A dificuldade inerente daquele dilema Divino-Humano confunde Maria.

Em sua condição de Mãe, se misturam as percepções do dever materno de educar seu Filho, e da submissão por ela devida a este mesmo Filho – Deus. Algo em seu coração parece constranger-lhe de que a sua frente está seu próprio Salvador. E ao mesmo tempo, seu coração materno lhe impulsiona na direção de educá-lo e protegê-lo. Em meio a essa angústia, e a essas perguntas sem resposta, Maria limita-se a guardar todas essas coisas em seu coração. Não é esse um exemplo bonito a se seguir?

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.  Se nos aquietarmos para ouvir a voz de Deus, entenderemos o tamanho do Seu amor para com o ser humano, e trataremos a cada um de Seus filhos com o mesmo respeito com que ele nos trata.


Nota: Artigo escrito e postado em Português.

Moisés Sanches Junior

Moisés Lopes Sanches Junior é PhD em Educação Especial pela Universidade Estadual de Campinas, Brasil. É graduado em Pedagogia e Teologia pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo. Atua como assessor técnico do Departamento de Educação da União Central Brasileira. É professor nos cursos de Pedagogia, Publicidade e Propaganda e Educação Física do Centro Universitário Adventista de São Paulo - campus Hortolândia.

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