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Reflective Practice

Transformação a partir da afetividade

A educação moderna muitas vezes separa o sujeito do objeto. Professores e alunos dividem o espaço de uma sala de aula, mas nem sempre se conhecem como deveriam. É preciso ter consciência de que, para isso, é preciso enfrentar desafios e empreender esforços. Dedicar tempo para dialogar e estimular a produção do conhecimento do outro. Isto porque a relação democrática não reprime a reflexão e a criação, mas ao contrário, desafia o seu exercício.

Nessa relação não existe passividade e neutralidade, pois os interlocutores são agentes no processo de construção do conhecimento. É essa proximidade do professor com o aluno que promove a verdadeira transformação. Cury (2006, p. 142) cita isso em forma de poesia filosófica:

Somos professores? Muito mais!
Somos educadores? Mais ainda!
Somos vendedores de sonhos!
Vendemos sonhos para o abatido se animar,
Para o tímido ousar, para o ansioso se tranquilizar,
Para o poeta se inspirar e para o pensador criticar e criar, Sem sonhos, somos servos!
Sem sonhos, obedecemos ordens!
Que vocês, alunos, sejam grandes sonhadores!
E se sonharem, não tenham medo de caminhar!
E se caminharem, não tenham medo de tropeçar!
E se tropeçarem, não tenham medo de chorar.
Levantem-se, pois não há caminhos sem acidentes.
Deem sempre uma nova chance para si mesmos.
Pois a liberdade só é real se após falharmos…
Existir o direito de recomeçar…

Quando a educação caminha junto com os sentimentos, tem-se a certeza de que ela alcança o seu objetivo maior, que é transformar o homem em um ser social.

Ao refletirmos sobre isso, reforçamos nossa preocupação em fazer com que educar seja realmente uma ação transformadora a partir da qual o homem possa desenvolver uma linguagem amorosa. A ternura unida à educação fará desabrochar em cada aluno a capacidade de transcender as relações de cooperação, incentivando a criatividade, a sinergia e a sintonia numa comunhão com a natureza. O objetivo é formar valores humanos a serviço da paz e da justiça social.

Quando se trabalha a afetividade junto à educação, ajudamos as pessoas a se libertarem da ignorância e do desamor. Um bom educador, portanto, não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender. Dessa forma para realizarmos transformações é fundamental humanizar o conhecimento e primordial, humanizar os mestres.

Como podemos demonstrar para os alunos que verdadeiramente nos interessamos neles? 

Katia Nunes

Formada em Letras Inglês e Português, pós-graduada em Língua Portuguesa e Neuroeducação. Atua há mais de 10 anos como professora da rede de Educação Adventista. Atualmente trabalha com o ensino médio no Colégio Adventista de Padre Miguel localizado no Rio de Janeiro, Brasil.
Katia Nunes

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