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Ensino produtivo e gramática reflexiva

O ensino de gramática nas aulas da língua materna tem representado um constante dilema para os professores. O primeiro segmento do Ensino Fundamental tem como objetivo principal o letramento, que habilita o aluno a usar a leitura e a escrita para uma prática social. Porém, na prática as aulas de língua resumem-se no ensino de nomenclaturas gramaticais, deslocadas do uso, da função e do texto, fugindo assim do objetivo desse nível de ensino. O aluno é promovido para o segundo segmento sem dominar a leitura, a interpretação e a produção de textos.

Há algumas décadas, houve uma divisão da disciplina em língua e literatura no Brasil. Essa divisão influenciou a organização do currículo escolar, em que se separou a gramática, os estudos literários e a redação. Inclusive a maioria dos livros didáticos reproduziram esse exemplo de divisão, como se leitura/literatura, gramática e redação fossem independentes uma da outra. Tal divisão, é feita no segundo segmento do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, em que professores especializados em cada tema ministram aulas específicas, como se na interação comunicativa houvesse essa separação.

Por exemplo, esses estudos gramaticais aparecem nos planos de curso de Língua Portuguesa no Brasil, desde as séries iniciais do Ensino Fundamental até as séries finais do Ensino Médio. Com isso muitos alunos terminam seus estudos sem dominar nomenclaturas gramaticais e muito menos, na maioria das vezes, expressar verbalmente com clareza suas ideias nas diferentes situações de sua vida social.

Diante desses fatos, como uma sugestão sobre a metodologia para se trabalhar a língua materna, está o ensino produtivo e a gramática reflexiva. O ensino produtivo leva o aluno a ampliar o uso que faz da língua de maneira mais eficiente, aumentando os recursos que possui de tal modo, que tenha ao seu dispor, a maior escala possível de potencialidades de sua língua em todas as diferentes situações em que tem necessidade dela.  É um ensino que estimula a criatividade do falante, tanto aluno, quanto professor; provoca uma reformulação nos padrões de ensino/aprendizagem e uma reflexão sobre a língua.

O ensino produtivo trabalha com exercícios em que é utilizado o método dedutivo, ou seja, não trabalha com modelos, mas com a capacidade de usar as regras gramaticais internalizadas a fim de gerar uma infinidade de textos com um mínimo de terminologia. A exemplo desse tipo de ensino:

  • Questão A: Introduza a palavra “não” na frase: “Ele pode organizar a exposição”, em todas as posições que importem em diferenças de sentido.
  • Questão B: Identifique o adjunto adverbial de negação da frase: “Ele não pode organizar a exposição.”

Nitidamente é visível que a questão A implicará em uma reflexão gramatical muito maior para o aluno e a questão B exige apenas a memorização de conceitos.

Com a reflexão baseada no conhecimento intuitivo dos mecanismos de funcionamento da língua, o aluno irá aumentar a capacidade de uso de sua língua, tanto na variante falada, quanto na escrita; desenvolverá sua competência comunicativa através de atividades com textos nas mais diferentes situações de interação social. Portanto o ensino produtivo com uma gramática reflexiva realizará um trabalho não só sobre o que o aluno já domina, mas o que ainda ele não conhece, dando-lhe a oportunidade para adquirir novas habilidades linguísticas e estar apto para qualquer interação comunicativa.

Marcela Moraes

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