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O desafio de ensinar a pensar

Atualmente a educação passa por momentos desafiadores. A família transfere para a escola o seu papel de educar e construir os primeiros saberes do sujeito. Esta, por sua vez, enfrenta várias problemáticas, como inseguranças na economia, política, cultura e, principalmente, nos caminhos que a educação deverá tomar para atender eficazmente a nova demanda dessa geração hiperconectada.

As estudiosas Clara Coutinho e Eliana Lisbôa lembram que a Internet e as tecnologias digitais promovem a criação de novos espaços de interação e possibilidades na construção do conhecimento para si e para uma comunidade. Infelizmente, a realidade tem trazido conhecimentos fragmentados e superficiais para as crianças.

Photo: Pixabay

Diante dessa realidade, a escola precisa estar preparada, recorrendo a novas estratégias a fim de tornar o ensino interessante e ensinar o aluno, a pensar por si mesmo. Motivando-o a escolher de forma consciente e profunda, analisar as opções, refletir sobre as consequências e ampliar horizontes para novos saberes. (BANDURA, 1986).

A escritora Ellen White destaca que as crianças devem ser educadas a pensarem por si mesmas. Essa prática favorece a autoconfiança, formação do caráter, discernimento, auto aceitação e auto realização. Simultaneamente, devem ser ensinadas a respeitar a experiência dos pais e professores, de modo a poderem reconhecer a conveniência de atender seus conselhos.

A seguir, listei três importantes tópicos para auxiliar o processo de Ensinar a Pensar:

1- Estabelecer objetivos: Desde cedo, o aluno deve ser incentivado a estabelecer seus objetivos e a buscar novas possibilidades. O professor será o mediador entre o sonho e a realidade. Cabe ao mestre, conhecer as características dos alunos, seus potenciais e dons. Assim, direcioná-los a construir alvos mais elevados e possíveis.

2- Desenvolver estratégias: Para cada objetivo estabelecido, desenvolva estratégias viáveis e eficazes para alcança-los. O professor deve auxiliá-los a pensar em ações possíveis de serem implementadas no seu dia a dia. Isso precisa ser feito com criatividade e bom senso para estabelecer prioridades. Assim, as chances de sucesso se tornam mais palpáveis.

3- Monitoramento das Ações: O aluno deve ser ensinado a se autorregular, praticando ações e estratégias desenvolvidas em busca dos seus objetivos. Deve fazer autoavaliação de suas ações, a fim de readaptar as estratégias, corrigir os erros e avançar. Esse monitoramento pode ser feito durante todo o processo.

É através desses meios que o estudante deixa de ser passivo e assume uma posição mais ativa na construção do saber. Com o controle e direção dos seus objetivos, o aluno será capaz de concretizar suas aspirações de forma integral nas dimensões intelectuais, afetivas, sociais e profissionais. Estará de forma ativa, consciente e responsável inserido na sociedade (LOPES DA SILVA; VEIGA SIMÃO & SÁ, 2004).

BANDURA, A. Social foundations of thought and action. A social cognitive theory. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1986.

COUTINHO, Clara; LISBÔA, Eliana. Sociedade da informação, do conhecimento e da aprendizagem: desafios para educação no século XXI. Revista de Educação, Vol. XVIII, nº 1, p. 5-22, 2011. 

LOPES DA SILVA, Adelina; VEIGA SIMÃO, A. M. A & SÁ, I. A Auto-regulação da Aprendizagem: Estudos Teóricos e Empíricos. Intermeio: revista do Mestrado em Educação, Campo Grande, MS, v. 10, n. 19, p. 58-74, 2004. 

WHITE, E. G. Conselhos sobre Educação. Casa Publicadora Brasileira, Tatui, SP, 2007.


Nota: Artigo escrito e postado em Português

 

Christine Ventura

Christine Ventura

Graduada em Biologia pela Universidade PUC em Campinas, Brasil (1998) e especialização em Psicopedagogia pela FAH, Hortolândia, Brasil (2013). Atualmente é professora do Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Hortolândia e desde 2014 possui um consultório de Psicopedagogia Clínica. Tem experiência na área de Orientação Educacional com ênfase em superação de dificuldades de aprendizagem e rotina de estudo.
Christine Ventura

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3 comments

  • | 1 year ago

    Congratulations you are a Big teacher!!

  • | 1 year ago

    Concordo plenamente com o que a professora Christine escreveu! Especialmente quando ela fala sobre as crianças serem educadas para pensar! Infelizmente, como mãe, pouco tenho visto disso! Os professores ensinam para que as crianças respondam exatamente de acordo com o que lhes foi passado… não existe uma liberdade de expressão do aluno…
    Mas creio que, se esses mesmos professores, começarem a ler artigos como esse e desejarem ser o incentivo para esses alunos se tornarem verdadeiros pensadores, então isso se refletirá no mundo!
    Obrigada, professora Christine, por seu artigo!
    Conheço seu trabalho e sei que você fala daquilo que vive! Parabéns!

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