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Gestão de curso de Jornalismo: Fortalecendo a cooperação e o significado de missão*

Nem todos aqueles que assumem a responsabilidade de uma coordenação de curso de Jornalismo contam com alguma experiência prévia de gestão no ensino superior. A fim de se construir uma visão primordial e determinar a missão de curso, é necessário responder às seguintes indagações – pelo menos refletir a respeito delas: Para que serve o Jornalismo? A quem se deve servir? Qual a sua importância?

Jornalismo não se resume à informação, interpretação, opinião e entretenimento, como julgam alguns. É muito mais do que isso. Trata-se do privilégio de participar junto à sociedade como baluarte das liberdades coletivas e individuais, alicerce da democracia. Pesada responsabilidade, pois os olhares dos públicos leitores, telespectadores, radiouvintes e internautas seguirão os jornalistas, exigindo-lhes ação, coragem, clareza, objetividade, coerência, a fim de que se tornem merecedores de credibilidade. Sem isso, não existe jornalismo, a democracia derrete e, por extensão, perde-se o direito às liberdades. O curso necessita discutir esses pontos antes de construir a matriz curricular.

Photo: Pexels

Imagina-se o jornalismo ideal como aquele que aflige os poderosos e concede poder aos aflitos. O jornalismo existe para servir às pessoas de bem e denunciar as mazelas das instituições, sejam públicas ou mesmo privadas. Se o Jornalismo atende às demandas de interesse público geral, pode-se deduzir que o jornalista serve para servir à sociedade. A partir desse singelo conceito, começa-se a interpretar e compreender a visão para o estabelecimento de um curso Jornalismo em qualquer instituição adventista de ensino superior e, por extensão, a missão de mundo. Sem essa compreensão, não há motivo sólido para sequer solicitar aos setores da educação pública a autorização de abertura de curso. O ideal é ser único, diferente, útil, e não mais um curso no cenário acadêmico.

Em um curso de Jornalismo há necessidade de espaço para as ações criativas, tanto dos alunos como dos docentes. A ausência de liberdade dificulta muito a mecânica comunicacional. É quase impossível conservar essa via de mão dupla sob a forma de tendências absolutistas. Não havendo oportunidade de comunicação, de troca de informações, logo a liberdade se torna de todo um elemento virtual, falso, produto da imaginação daqueles que acreditam cegamente em sua existência.

Insiste-se em que a centralização da comunicação deve ser o resultado de um projeto e não da vontade de pensamentos unilaterais. No contexto do jornalismo online, torna-se inadmissível toda e qualquer ingerência sob forma de censura. Assim procedendo, evidencia-se a falta de confiança nos profissionais que dirigem esta mídia. Afinal, quem fiscalizará àqueles que inspecionam os fazeres jornalísticos na academia? Por que uns têm de confiar enquanto outros têm de desconfiar?

Se esse estado de conflito continuar por tempo indeterminado, o prejuízo acarretado se colocará acima de qualquer cifra razoável. Antes de se investir em Jornalismo, tem-se de fortalecer os fundamentos da cooperação, do significado de missão, a fim de que todos os indivíduos participantes tenham uma clara visão dos objetivos. Não se constrói nenhuma missão diante de espíritos competitivos, mas apenas em um ambiente cujos colaboradores incorporem competências proativas que conduzam à integração, à cooperação.

*O artigo é a primeira parte de uma série de dois textos. Ler o segundo artigo.


Nota: Artigo escrito e postado em Português.

Ruben Dargã Holdorf

Ruben Dargã Holdorf

Doutor em Comunicação e Semiótica (Comm.Se.D), coordena o Bacharelado em Jornalismo do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Brasil. Atuou nos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná, é autor de cinco livros e da Teoria da Engenharia do Discurso (https://www.amazon.com/Engenharia-discurso-Portuguese-Holdorf-Ruben/dp/3639832647).
Ruben Dargã Holdorf

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