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Que Tenho Eu Contigo?

“Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” (João 2:4)

Já se passavam cerca de dois meses desde que Cristo havia deixado sua casa e iniciado sua jornada de preparo para o ministério. Após ser batizado por João e tentado no deserto por 40 dias, retorna a Galiléia para iniciar a escolha de seus futuros alunos, os discípulos.

Durante esse tempo, o coração de Maria se angustiava com a lembrança das palavras de Simeão: “A espada traspassará também tua própria alma” (Lucas 2:35). Recorria-lhe à lembrança, a dor da separação de seu filho no templo, e a angústia dos três longos dias de busca. Ouvia por amigos as notícias da cena do batismo e ansiava por vê-lo novamente.

Jesus thinking
Photo: Editorial images

Maria fora convidada a uma festa de casamento de um parente, bem como seu Filho e alguns dos novos seguidores dEle. Chegada a festa, o vinho da festa acabou. Naquela época, e até hoje, acabar um item da festa indicava falta de preparo ou desrespeito para com os convidados. Sendo os anfitriões provavelmente parentes de Maria, ela se dirige ao Filho e reparte com Ele o problema.  Como ressaltamos nas reflexões anteriores, Maria guardava em seu coração todas as coisas que via em seu Filho e que não compreendia. Sentia em seu íntimo que Ele poderia resolver o problema, mesmo não sabendo como.

Mais surpreendente que a fé depositada por Maria em seu Filho, é a resposta dada por Ele ao pedido: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora”. Pode parecer que Jesus fora insensível e desrespeitoso com sua mãe. Porém, no verso seguinte João nos apresenta a atitude da mãe: “Todavia, a mãe dEle disse aos criados: ‘Façam tudo o que Ele disser a vocês’”.

Talvez a maior beleza do relacionamento de Jesus com sua mãe resida na paciência e dedicação voluntária dEle em respeitar o tempo de aprendizado dela. Jesus estava pronto para a missão. Maria como mãe, não estava pronta para perdê-lo. Os três anos que duraram o ministério de Jesus foram um aprendizado doloroso principalmente para sua família.

Fico pensando quanto desse aprendizado devemos ter com nossos alunos ou filhos. Devemos educá-los tendo a consciência de que são livres, mesmo que nos pareça mais fácil poder conduzi-los pelos nossos caminhos. Outra coisa bonita deste episódio com Jesus, é que mesmo sem entender completamente o que Cristo queria dizer, sua mãe depositou-lhe fé. Esta fé foi valorizada e Cristo realizou seu primeiro milagre, dando início ao Seu ministério. Respeito também é isso.  É dar ao outro o benefício da fé. É acreditar no outro às vezes sem entender o que ele esteja vendo; é confiar.

E quanto aos nossos filhos? Estamos dispostos a depositar-lhes confiança para que se desenvolvam? Há que se dar pequenos desafios e permitir-lhes tentar, e incentivá-los a que o façam sozinhos, dar-lhes apoio. Essa confiança é uma grande demonstração de respeito.


Nota: Artigo escrito e postado em Português.

Moisés Sanches Junior

Moisés Lopes Sanches Junior é PhD em Educação Especial pela Universidade Estadual de Campinas, Brasil. É graduado em Pedagogia e Teologia pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo. Atua como assessor técnico do Departamento de Educação da União Central Brasileira. É professor nos cursos de Pedagogia, Publicidade e Propaganda e Educação Física do Centro Universitário Adventista de São Paulo - campus Hortolândia.

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